A poluição sonora pode estar presente em fábricas, canteiros de obras, oficinas, aeroportos, transportadoras, mineradoras, metalúrgicas e diversos outros setores. Máquinas, ferramentas, motores, compressores, equipamentos pneumáticos e processos produtivos podem gerar níveis elevados de pressão sonora e aumentar o risco de alterações auditivas quando não houver controle adequado da exposição.
Avaliar o ruído ocupacional deve fazer parte das ações de segurança e saúde no trabalho. Identificar as fontes sonoras, medir os níveis de exposição, adotar medidas de controle, fornecer equipamentos de proteção individual e acompanhar a saúde auditiva dos trabalhadores são atitudes que ajudam a reduzir os riscos associados ao excesso de ruído.
No artigo de hoje falaremos sobre o que é poluição sonora no ambiente de trabalho, quais doenças ocupacionais o ruído pode causar, qual é o limite de ruído permitido no trabalho, EPI, insalubridade e responsabilidades da empresa, como prevenir a perda auditiva e controlar a poluição sonora. Continue a leitura!
O que é poluição sonora no ambiente de trabalho?
O primeiro passo para controlar o risco é identificar como o excesso de som pode afetar o ambiente. Poluição sonora é a presença de níveis de ruído capazes de provocar desconforto, interferir na comunicação ou gerar efeitos prejudiciais à saúde, conforme intensidade, duração e características da exposição.
No ambiente profissional, o ruído pode ter origem em máquinas industriais, prensas, serras, esmerilhadeiras, furadeiras, motores, veículos, equipamentos de construção e sistemas de ventilação. Também pode ocorrer pela combinação de várias fontes sonoras próximas, fazendo com que o trabalhador receba uma exposição elevada durante parte ou todo o período de trabalho.
Para avaliar esse risco, são utilizados equipamentos de medição apropriados e critérios previstos nas normas de higiene ocupacional. A avaliação da exposição deve considerar o nível de pressão sonora e o tempo de permanência do trabalhador junto à fonte.
Um trabalhador que utiliza uma ferramenta ruidosa por poucos minutos pode receber uma exposição diferente daquela registrada para outro profissional que permanece várias horas próximo ao mesmo equipamento. Por isso, relacionar intensidade sonora e tempo de exposição permite uma avaliação mais adequada do risco.
A análise também deve observar as características do processo produtivo. Em uma oficina, por exemplo, o ruído produzido por uma esmerilhadeira pode se somar ao som de compressores, marteletes e outras ferramentas. Essa combinação torna o ambiente mais agressivo para a audição e dificulta a comunicação entre os trabalhadores.
Com a identificação das fontes, o próximo passo será compreender quais efeitos o ruído pode produzir sobre a saúde.
Quais doenças ocupacionais o ruído pode causar?
A exposição ocupacional ao ruído pode causar alterações auditivas e outros efeitos sobre a saúde. Entre os principais problemas relacionados ao excesso de ruído, destaca-se a Perda Auditiva Induzida por Ruído, conhecida pela sigla PAIR.
A PAIR ocorre após exposição contínua ou repetida a níveis elevados de pressão sonora, com comprometimento das células sensoriais da cóclea. O trabalhador pode apresentar dificuldade para compreender a fala, necessidade de aumentar o volume de aparelhos eletrônicos e sensação de ouvido abafado, entre outros sinais.
O zumbido também pode aparecer após exposição a ruídos intensos. A pessoa pode perceber sons semelhantes a apitos, chiados ou campainhas mesmo sem existir uma fonte sonora externa. Esse sintoma merece atenção e avaliação por profissional de saúde.
Além dos efeitos sobre a audição, o ruído intenso pode provocar irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações do sono e aumento da tensão. Também pode prejudicar a comunicação entre trabalhadores, dificultar a percepção de alarmes e reduzir a capacidade de ouvir sinais importantes durante a execução das atividades.
Essa interferência na comunicação merece cuidado especial em ambientes industriais e de construção. Quando um operador não consegue ouvir uma orientação ou um alerta emitido por outro trabalhador, aumenta a possibilidade de falhas na execução das tarefas.
Outro aspecto importante envolve os efeitos do ruído sobre a percepção de outros riscos. Alarmes de máquinas, sirenes, avisos verbais e sinais sonoros podem deixar de ser percebidos quando o ambiente apresenta níveis elevados de pressão sonora.
Controlar o ruído, além de preservar a audição, significa melhorar as condições de comunicação e permitir que informações sonoras importantes sejam percebidas durante as atividades.
Qual o limite de ruído permitido no trabalho?
A definição do limite de exposição ao ruído depende do tipo de avaliação realizada e dos critérios previstos nas normas aplicáveis. Para exposição ocupacional ao ruído contínuo ou intermitente, a NR-15, em seu Anexo 1, apresenta limites de tolerância relacionados ao nível de ruído e ao tempo máximo de exposição.
Como referência, para um nível de 85 dB(A), a exposição máxima prevista no Anexo 1 da NR-15 é de 8 horas. Com o aumento do nível sonoro, o tempo máximo permitido diminui. Por exemplo, para 90 dB(A), o limite indicado é de 4 horas, enquanto para 95 dB(A) o tempo passa para 2 horas.
Essa relação demonstra por que não avaliar o risco apenas pelo volume aparente do som. Um equipamento que produz ruído muito elevado durante períodos menores pode gerar uma exposição relevante, assim como uma fonte sonora moderada utilizada durante muitas horas.
A avaliação ocupacional também pode utilizar critérios de dose de exposição, considerando a combinação entre intensidade e tempo. Esse trabalho deve ser realizado por profissional capacitado, com equipamentos adequados e metodologia compatível com a atividade.
Além da NR-15, a avaliação de agentes físicos integra as ações previstas no gerenciamento de riscos ocupacionais. O Programa de Gerenciamento de Riscos deve considerar os perigos existentes no ambiente e definir medidas de prevenção compatíveis com os resultados obtidos.
Assim, conhecer os limites de exposição ajuda a empresa a definir medidas de controle, selecionar EPIs adequados e acompanhar a saúde auditiva dos trabalhadores.
EPI, insalubridade e responsabilidades da empresa
Quando o ruído ocupacional estiver presente, a empresa deverá priorizar medidas capazes de controlar a fonte e reduzir a exposição. O protetor auditivo faz parte desse conjunto de medidas, mas não substitui ações destinadas ao controle do ruído na origem.
Entre os principais tipos de proteção auditiva, estão os protetores auriculares do tipo plugue e abafadores do tipo concha. A escolha deve considerar o nível de exposição, as características da atividade, a compatibilidade com outros EPIs e o conforto necessário para permitir o uso durante o trabalho.
O equipamento deve possuir Certificado de Aprovação, conhecido como CA, e ser selecionado de acordo com os riscos identificados. A empresa também deve orientar os trabalhadores sobre colocação, utilização, higienização, conservação, substituição e limitações do equipamento.
A caracterização de atividade insalubre por exposição ao ruído depende dos critérios definidos pela NR-15 e da avaliação realizada conforme os parâmetros aplicáveis.
O empregador deve realizar a avaliação ocupacional, registrar os resultados e adotar medidas de controle compatíveis com os riscos identificados. Também deve fornecer EPI adequado quando necessário, orientar os trabalhadores, acompanhar o uso e manter as ações de prevenção integradas ao gerenciamento de riscos.
O Programa de Conservação Auditiva (PCA), pode reunir ações de avaliação ambiental, seleção de protetores auditivos, treinamento, acompanhamento audiométrico e controle das fontes de ruído.
O acompanhamento da saúde auditiva permite identificar alterações e orientar medidas preventivas. A realização de exames audiométricos, conforme os critérios ocupacionais aplicáveis, integra o acompanhamento dos trabalhadores expostos ao ruído.
Dessa forma, controlar o agente físico envolve combinar medidas coletivas, administrativas, tecnológicas e individuais, além de depender apenas do uso do protetor auricular.
Como prevenir a perda auditiva e a poluição sonora?
A prevenção da perda auditiva ocupacional começa pela identificação das fontes de ruído e pela avaliação da exposição. Depois dessa etapa, busca reduzir a geração sonora na própria fonte, sempre que houver possibilidade técnica.
Entre as medidas possíveis estão utilizar máquinas com menor emissão sonora, instalar enclausuramentos acústicos, aplicar materiais de absorção sonora, realizar manutenção dos equipamentos e criar barreiras físicas entre a fonte e o trabalhador.
A manutenção periódica também é necessária porque equipamentos desgastados, peças soltas, falta de lubrificação e componentes danificados podem aumentar o nível de ruído produzido durante o funcionamento.
O treinamento dos trabalhadores deve explicar os riscos do ruído e demonstrar como utilizar os protetores auditivos. Mostrar situações do dia a dia pode tornar a orientação mais próxima da realidade. Em uma oficina, por exemplo, explicar por que retirar o protetor durante o uso de uma ferramenta ruidosa pode aumentar a exposição acumulada durante o turno.
Outra ação importante é acompanhar os resultados das avaliações ambientais. Comparar medições realizadas em diferentes períodos pode ajudar a identificar mudanças no processo produtivo e verificar se as medidas de controle adotadas estão produzindo o resultado esperado.
Deve-se incluir a participação dos trabalhadores nas ações preventivas. Quem utiliza uma máquina todos os dias pode perceber alterações no funcionamento, ruídos diferentes ou falhas que precisam de avaliação técnica.
A comunicação entre trabalhadores, supervisores, profissionais de segurança e manutenção ajuda o controle do ruído ser mais eficiente. Registrar problemas, encaminhar avaliações e acompanhar as correções permite construir um processo preventivo contínuo.
Conclusão
A exposição a níveis elevados de ruído pode provocar perda auditiva, zumbido, dificuldades de comunicação e outros efeitos sobre a saúde. O controle desse agente físico depende de avaliação adequada, conhecimento dos limites de exposição e aplicação de medidas preventivas compatíveis com cada atividade.
A empresa deve atuar na identificação das fontes, reduzir o ruído sempre que houver possibilidade técnica, acompanhar a exposição, fornecer proteção auditiva adequada e orientar os trabalhadores sobre o uso correto dos equipamentos.
Deve também integrar a avaliação do ruído ao gerenciamento de riscos ocupacionais e acompanhar a saúde auditiva dos profissionais expostos. Dessa forma, cria ambientes com menor carga sonora, melhora a comunicação e preserva a audição durante a vida profissional.
Prevenir doenças ocupacionais relacionadas ao ruído requer participação conjunta entre empresa, profissionais de segurança, equipes de manutenção, liderança e trabalhadores. Com avaliação técnica, controle das fontes, treinamento e acompanhamento da saúde, é possível reduzir a exposição e construir ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.
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